Os ensinamentos da Vagalume

Coleção Vagalume, lançada pela Editora Ática em 1973

A coleção Vagalume, lançada pela Editora Ática em 1973, foi uma das responsáveis pelo meu amor à literatura, aos livros e à leitura.
Quando estava no primário, na escola Coronel Antônio Nogueira, o Grupão, em Paraguaçu Paulista, a professora Ana Rita indicou como leitura para atividade bimestral ‘Zezinho, o dono da porquinha preta’, de Jair Vitória.
Por coincidência, este era um dos livros que havia na estante da sala de casa. O outro livro da Vagalume que havia por lá era ‘Um cadáver ouve rádio’, de Marcos Rey.
As obras tinham sido lidas pelo meu irmão o Rodrigo, que estava a três séries à frente da minha. Algumas das coisas que me chamavam atenção nos livros da série eram as capas e o fato de, de modo recorrente, o assunto de uma trama ou outra, como o próprio ‘Zezinho’ ou a ‘A ilha perdida’, de Maria José Dupré, ganhar a conversa do almoço.
Certa vez meu pai, ao cobrar do meu irmão maior mais cuidado comigo, citou os personagens da ‘A ilha perdida’. Ele lembrou que o irmão mais velho na trama deixou o único ovo que havia sobrado para que o menor comesse, assim evitou que o pequeno passasse fome.
Era a literatura nos ensinando a viver melhor, a cooperar um com o outro. Foi este conceito de proteção, de reunir forças para proteger quem a gente ama, que mais ficou evidente para mim ao ler ‘Zezinho, o dono da porquinha preta’. Zezinho, assim como o autor Jair Vitória, era um menino do campo, gostava de caçar de estilingue e convivia com os outros elementos da vida rural, inclusive o distanciamento da relação pai e filho.
O pai de Zezinho era muito severo, agressivo e sempre acabava batendo no menino, que era doce e inocente. O garoto reage quando o pai tenta vender a porquinha Maninha e chega até mesmo fugir, indo se abrigar numa comunidade localizada na outra margem do rio.
Ao perceber que poderia perder o filho, o pai de Zezinho se redime e passa a demonstrar o amor que sente por ele. Vence uma barreira e foi exatamente isso que o livro de Jair Vitória me deixou: precisamos vencer nossas próprias barreiras justamente para não perdermos aqueles que amamos, aquilo que nos move e preenche.
Li outros livros da série, como os assinados por Marcos Rey, Lúcia Machado de Almeida, Maria José Dupré, Orígenes Lessa e Luiz Puntel. Rey e Lessa, por sinal, influenciaram muito a minha formação de autor.
O de Lúcia Machado de Almeida, talvez, seja o mais marcante da série: ‘O escaravelho do diabo’, obra, que, por sinal acaba de ganhar as telas em versão cinematográfica lançada neste ano. Filme e livro narram a investigação no encalço de um serial killer. Esta atmosfera me inspirou quando coloquei no papel o romance policial ‘A próxima Colombina’, lançado em 2014.

Ramon Franco Por Ramon Franco

 

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