A reportagem a serviço da história

O jornalista e escritor Lira Neto acaba de lançar um trabalho primoroso: a biografia do samba. ‘A história do nosso gênero musical por excelência: o samba’, obra publicada pela Companhia das Letras. Lira é um pesquisador de fôlego, um autêntico repórter em busca de notícias esquecidas em nossa história. Trouxe à luz da atualidade minuciosos fatos que contextualizaram para nós, da geração atual, o que representou para a nação brasileira o presidente Getúlio Vargas. Em três volumes ‘Getúlio’ consiste numa das mais sólidas obras biográficas de um estadista brasileiro.

Recomendo a leitura, principalmente, para quem milita na política ou exerce função de liderança na iniciativa privada. Antes de fazer a radiografia de Getúlio Vargas, o jornalista Lira biografou outro personagem marcante de nossa brasilidade: o padre Cícero Romão Batista, exaltado pela fé nordestina e brasileira com o Padrinho Padre Cícero. O livro ‘Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão’ foi lançado em 2009. Antes, Lira mergulhou no passado para trazer até nós o perfil biográfico do romancista José de Alencar, através da obra ‘O inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar’. Notem o seguinte: assim como Padre Cícero e José de Alencar, Lira Neto é nascido no Ceará [em Fortaleza, em 1963]. Também escreveu sobre a vida e trajetória de outro cearense ilustre: o general Castello Branco, primeiro presidente do período de exceção que o Brasil viveu de 1964 a 1985. Ao biografar estes três pilares da naturalidade cearense, fica-se a impressão de que, no seu íntimo, Lira deve ter afirmado para si: “Pronto, fiz o meu ‘dever de casa’, agora vamos para a próxima fase”.

E nesta próxima fase estava Getúlio Vargas e, justamente por conta do presidente que nos garantiu as férias remuneradas e as maiores conquistas trabalhistas para os brasileiros, tive a grata oportunidade de conhecer pessoalmente Lira Neto. Foi em agosto de 2014 na livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo. Cheguei pela manhã na livraria e assegurei os ingressos para a entrevista que ele iria conceder ao médico e escritor Dráuzio Varella.

Na fila para os ingressos, conheci um corretor de imóveis de Americana, um profundo admirador do trabalho biográfico e jornalístico de Lira Neto.

À noite, fui um dos primeiros a ficar na porta do teatro Eva Herz, que fica no terceiro piso da livraria Cultura. De repente, passa por um homem alto, magro, usando óculos. Era o Lira.

Havíamos trocado mensagens por e-mails e, me dirigi a ele lembrando: “Oi, sou o jornalista de Marília, Ramon”. Ele me abraçou e disse: “Puxa, que legal você veio mesmo, hein!”. Combinamos de conversar ao final do lançamento, que ocorria após a entrevista com o Dráuzio.

A entrevista acabou, o lançamento também e quando o pessoal da editora veio se despedir do Lira, avisando sobre o táxi que o levaria para sua casa, o escritor disse que iria ficar um pouco mais, “para atender meu amigo de Marília”.

Sentamos numas poltronas e já quase não havia mais ninguém na livraria. Começamos a conversar sobre Getúlio Vargas e a relação dele com Marília, com algumas lideranças da cidade, entre elas o Doutor Manhães, que fora assessor particular do presidente em seu último mandato.

De repente, sobe as escadas uma moça, e olha para nós com um ar de alívio. “Desculpe, me atrasei para o lançamento. Sou bisneta do presidente Vargas, queria muito conhecer você, Lira”. Era a advogada Manoela Vargas. Fotografei este encontro a pedido do Lira.

Fotos: Ramon Barbosa Franco

Ramon Franco Por Ramon Franco

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