Resenha - Harry Potter e a criança amaldiçoada

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Leitores, é um prazer apresentar a nossa resenha de hoje. Um dos fenômenos da literatura da nossa geração ganhou mais uma publicação, mais um título. Harry Potter, sem nenhuma dúvida, hoje faz parte de um rol importantíssimo, que é o das obras com o universo expandido. O novo livro dita bem essa expansão. Corram e sacudam as suas varinhas, pois a resenha de hoje é sobre Harry Potter e a criança amaldiçoada.

Lançada no final de 2016 pela editora Rocco, a obra nada mais é do que um ensaio da peça de John Tiffany & Jack Thorne. Ou seja, o ensaio dessa peça de Jack Thorne virou este livro.

Existem duas publicações da obra, a primeira no formato brochura e a segunda no formato capa dura. Escolhemos a versão capa dura e percebemos que a qualidade do material, a diagramação e toda a produção foram de altíssima qualidade. A editora Rocco produziu um livro que vai além do valor literário, partindo também para o caráter de item colacionável. 

Harry Potter e a criança amaldiçoada (parte um e dois) é o texto dramático original do ensaio da peça. Dividido em quatro atos e seus respectivos intervalos, temos em mãos um grande espetáculo que une o contexto e enredo literário vivo, sua expansão para o imaginário através primeiramente do cinema e consecutivamente agora para os palcos de teatros.

Possivelmente, haverá uma nova publicação com o texto corrigido, logo não será mais um livro do ensaio da peça. Pelas propagandas nos sites de vendas na rede, os anúncios dizem que essa publicação do ensaio será limitada, dando vez para a publicação original da peça. Parece confuso, mas não é; a versão original do ensaio passará a ser a versão original da peça. Por esse motivo, citamos o caráter colacionável desta edição.

 

 

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Características do texto

 

O texto dramático tem como característica fundamental ser escrito para ser representado. Nesta obra, não seria diferente. Temos este texto dramático, não há um narrador apresentando os caminhos do enredo. Temos para isso: os ambientes, o espaço dos acontecimentos, o tempo dos acontecimentos e as relações dos personagens com suas falas.

Esse gênero textual aguça os sentidos do leitor, que precisa estar atento a todos os elementos diegéticos, aqueles que constituem o mundo próprio da narrativa. No nosso caso, o mundo fantástico de Harry Potter

A peça – o texto estudado – é dividida em quatro atos. Os atos servem como divisões e pausas na apresentação teatral. Um ato é parecido com um capítulo de livro. Em Harry Potter e a criança amaldiçoada, temos quatro pausas externas. Essas pausas também possuem um significado, originado em Aristóteles e a teoria dos três atos: Ato I – Apresentação, Ato II – Confrontação, Ato III – Resolução.

A peça possui 4 atos, mas, em suma, o significado é o mesmo: a progressão do enredo.

 

Resumo

 

“Uma estação movimentada e lotada de gente
tentando ir a algum lugar.”
John Tiffany & Jack Thorne

 

A história se passa 19 anos depois da batalha final entre Harry Potter e Voldemort. Harry Potter agora é um funcionário atarefado do Ministério da Magia tentando conciliar as tarefas do trabalho e a vida familiar; essa passa a ser a sua batalha. Hermione passa a ser a ministra da Magia; e Rony é dono de uma loja no beco diagonal.

O enredo inicia-se a partir do final do último livro, quando Alvo Severo Potter irá iniciar os seus estudos em Hogwarts. O pequeno menino expressa ao pai suas aflições caso venha ingressar na casa de Sonserina.

Em Harry Potter e a criança amaldiçoada, é exatamente isso que acontece. O livro inicia-se com esse pequeno drama, para atingir um nível maior, que é do personagem enigmático e problemático. Alvo é uma criança com crises existenciais e sofre com perseguições dos outros alunos, por ser um Potter e por não ser da casa de Grifinória.

Como se isso não fosse o bastante, o menino Alvo passa a ter como melhor amigo Escórpio Malfoy. O filho de Draco Malfoy também é um garoto com graves enigmas pessoais, principalmente por ser órfão de mãe e por ter uma origem duvidosa, deixando impreciso também se ele seria realmente filho de Draco ou do grande e temido Voldemort.

Temos uma terceira personagem do novo círculo de Alvo que é Delfine Diggory. Uma garota com vinte anos que cuida de Amos Diggory e se autoapresenta como prima de Cedrico.

Com os três personagens principais apresentados, o enredo ganha forma e uma problemática. A convivência e as crises existenciais de Alvo só aumentam, o garoto passa a querer reparar os erros que o pai cometeu no passado. Um em especial: a morte de Cedrico Diggory.

Nessa parte do livro, Harry já havia encontrado um objeto que o Ministério da Magia estava procurando insistentemente: um vira tempo. Este foi entregue à Hermione, que iria inspecioná-lo. Alvo e Escórpio recorrem à Delfi para ajudá-los a roubar esse vira tempo, e ela imediatamente aceita. Objetivo traçado e alcançado, eles conseguem roubar o objeto e partem para a segunda etapa do plano: salvar Cedrico

A partir daí, os garotos retornam a Hogwarts e começam uma jornada longa para mudar o passado. Como poderiam salvar o Cedrico, impedindo que ele prosseguisse no Torneio Tribruxo?

Cada vez que eles viajam ao passado para modificar uma etapa do torneio, eles afetam drasticamente o futuro. Num desses futuros alternativos, até mesmo Alvo deixa de existir.

Com medo do que poderia estar acontecendo com os filhos Harry Potter, Hermione e Rony entram em ação. Eles também recorrem à ajuda de Draco, pois tanto Alvo quanto Escórpio estavam cada vez mais afundados em problemas. Harry começa a fuçar e descobre que os garotos estão com o vira tempo roubado e tenta descobrir os planos, sem nenhum sucesso, até que eles descobrem que os garotos não estão sozinho e contam com a ajuda de Delfi, a cuidadora de Amos.

Eles começam a investigar a vida da garota e descobrem que ela não é realmente sobrinha de Amos, o que ela realmente quer é ressuscitar uma terceira pessoa que vocês descobrirão lendo o ensaio da peça Harry Potter e a criança amaldiçoada.

 

Alvo Potter: Herói ou Anti-herói

 

Com tantas crises existenciais, Alvo Potter não parece figurar na lista de um grande herói. Lista que colocamos o seu próprio pai.

Ele está mais para um anti-herói, por vezes atrapalhado e arrogante quando não reconhece que cada volta ao passado destrói o presente que ele conhece e o futuro que há de vir. Tentar consertar os erros que ele acha que o pai cometeu também é uma marca desta arrogância, visto que consertar os erros dos outros é possível, mas perceber o caminho torto e errado que ele mesmo está traçando não é discutido. Ainda que Escórpio por vezes seja muito mais atento do que Alvo, dá para considerá-lo também como um anti-herói, visto que a predominância de medos em seu interior o deixa cego.

Alvo e Escórpio são complementos um do outro, grandes amigos que precisam estar juntos para formar um todo. O que podemos dizer, então, é que a definição dos personagens é representativa na relação mútua de um com o outro.

Eles falam, como participante da vida representada (Bakhtin, pg. 322, 2011), com suas experiências parecidas. Um, filho do grande Harry Potter; outro, filho de Draco Malfoy, porém com dúvidas que o circulam com a possibilidade de ser filho de Voldemort. Delfi em nenhum momento fere a amizade dos dois, mesmo com o ciúme de Escórpio.

Podemos dizer que o enredo desta peça poderia dar à luz pelo menos mais quatro volumes de romance, visto a quantidade de elementos apresentados. Mas sabemos que é o roteiro de uma peça, logo o texto deve ser coeso.

Portanto, neste universo estendido de Harry Potter, temos: um vira tempo produzindo o caos em todo o enredo, e Alvo e Escórpio como anti-heróis e protagonistas de toda a peça. O final da obra é digno de um trabalho que envolva o nome J. K. Rowling. Indicamos o livro para os amantes da saga Harry Potter e para todos os leitores que amam também o gênero fantástico.

Artur Gueanori Por Artur Gueanori

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